Coluna Regionalismo – 29 de Março de 2017, por Dorotéo Fagundes

Chasque atualizado em 31 / 03 / 2017 às 4:46 pm

UM DIA ESPECIAL DE UNIÃO

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ANIVERSÁRIO DO PORTO MAIS ALEGRE DO BRASIL
Especulando a história vou me convencendo que por traz de quase todas as situações políticas, da guerra ao surgimento de povos, tem mulher em jogo.

Acreditem que Porto Alegre, capital de todos os gaúchos, (que se origina de Viamão, que pós jesuíta fora sede das primeiras estâncias de criação do gado gaúcho, (pois tudo que vinha da região do Rio da Prata transitava por Viamão), que fez o Rio Grande de São Pedro em 1732 atrair colonizadores, sendo o primeiro núcleo de povoamento do estado, formado por portugueses, escravos, lagunenses e paulistas, que em 1741 iniciaram a construção da capela Nossa Senhora da Conceição, atual igreja da matriz da velha capital tendo como figura relevante o pioneiro Cristóvão Pereira de Abreu), não fugiu à exceção.

Os primeiros casais açorianos repontados por Cristóvão de Abreu, que fundaram Porto Alegre chegaram ao Continente de Viamão em 1752, desembarcando na região de Itapuã, estabelecendo-se na Ponta de Pedra, dentro da Sesmaria de Santana, terras de Jerônimo de Ornelas Meneses e Vasconcellos, onde em tese nasceu o primeiro porto-alegrense, em 8 de dezembro desse ano, chamado de Matheus, filho de Manoel Pereira Soares e Mariana da Silveira.

A partir daí, a localidade do pequeno povoado de imigrantes passou ser chamada de Porto dos Casais. Em 1769 Viamão sede do governo, que muda o nome territorial para Continente do Rio Grande de São Pedro, tinha como governador, o coronel José Marcelino de Figueiredo, que acabou arrumando uma namorada no Porto dos Casais onde foi casar e pra lá, em 1773, transferiu a capital do continente, quando o Porto de Itapuã e o povoado de Viamão perdem a importância para a então já fundada Freguesia de São Francisco, destituindo o nome Porto dos Casais.

Isso comprova a minha tese, pois se o coronel tivesse casado com uma prenda de Viamão, o Porto dos Casais continuaria por muito mais tempo, como distrito da velha capital continentina.

Açorianos tanto quanto os portugueses, do ponto de vista cultural são mais importantes ao Rio Grande do Sul, nos legando até hoje usos e costumes de todas as formas: Na criação de cidades a começar pela nossa capital, no linguajar de vocábulos arcaicos, por exemplo, temos: Cambota – a camba de rodado das carroças; Cercear – de cortar rente; Cômputo – de resultado dos cálculos; Eito – série de coisas numa mesma direção; Obrigação – do trabalho; Penso – pendente; Apeiro, Badana – parte dos arreios; Brete – corredor para banhar o godo; Canga; Carreteiro; Cola-atada; Gorgomilo – mesmo que  goela; Mato; Peão; Talagada; Varar, dentre outros. Na poesia popular e na música e na dança em nossas tradições ficamos dos açorianos com a chimarrita, o pezinho. Na agricultura o plantio do Trigo, aveia, cevada, vinhedos, ervilha e na pecuária com as criações de gado vacum e de ovelha.

Essa gente forte, sem vaidade, possuídos de vontade, numa resignação cristã de rico cabedal moral, fizeram Porto Alegre e povoaram nosso estado de maneira que ninguém mais o pode arredar de sua posse, com raízes culturais profundas, por tudo isso somos gratos e felizes, para assim festejarmos por ter no sangue há 265 anos essa civilização amiga e há 245 Porto Alegre, o porto mais alegre do Brasil.

Para pensar: Que duvida que nós, não sejamos os açorianos da fundação, desfrutando dessa alegria?

Chasque Eletrônico enviado por Tania Mara



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