O 35CTG


Em 1947 eclodiu, em Porto Alegre, uma forte esperança de cultivar as tradições regionais, tarefa prejudicada por Getúlio Vargas com seu nacionalismo, que fazia com que se perdesse o sentimento do culto as tradições. Foi aí que jovens estudantes, vindos do meio rural, de todas as classes sociais, criaram um departamento de tradições gaúchas no colégio Julio de Castilhos para, além de preservar as tradições gaúchas, desenvolver e proporcionar uma revitalização da cultura Rio Grandense.

É dentro deste espírito que nasce a Ronda Crioula, estendendo-se do dia 7 ao dia 20 de setembro, as datas mais significativas para os gaúchos. Como os estudantes estavam muito entusiasmados com a idéia, procuraram a Liga de Defesa Nacional e expressaram o desejo do grupo de se unir aos festejos da “Semana da Pátria”, propondo a possibilidade de ser retirada uma centelha de fogo do “Fogo Simbólico da Pátria” para transformá-la em “Chama Crioula”, como símbolo de união insolúvel do Rio Grande à Pátria.

Nesta oportunidade, Paixão Cortes, líder do Departamento de Tradições Gaúchas, recebeu o convite para montar uma guarda de gaúchos pilchados em honra ao herói farrapo David Canabarro, que seria translado de Santana do Livramento para Porto Alegre.

Paixão Cortes reuniu um piquete de oito gaúchos e, no dia 5 de setembro de 1947, prestaram a homenagem a Canabarro. Esse piquete é hoje conhecido como o “Grupo dos Oito” ou “Piquete da Tradição”, semente que daria a criação do “35 CTG”.
A maioria das reuniões do grupo acontecia nos sábados à tarde, e o começava a aumentar o número de integrantes. Passado o tempo, o espaço onde se reuniam começou a ficar pequeno, o que os obrigou a fazer uma transferência.

Em 1948, o grupo foi para uma das salas da FARSUL, e no terraço da entidade, logo após a concretização da fundação oficial do 35 CTG em 24 de abril de 1948, começaram a realizar conferências, sessões de estudo, e outros eventos culturais no Auditório da FARSUL.

O 43° Congresso Tradicionalista Gaúcho reconheceu todos os fundadores do 35 CTG como Pioneiros do Tradicionalismo Organizado. Paixão Cortes foi o primeiro patrão de honra escolhido para a diretoria do piquete. O patrão oficial era Antônio Cândido da Silva Neto e Glaucus saraiva patrão por ocasião de fundação.

Em 1956, Antônio Fagundes Filho assumiu a patronagem como o mais novo patrão, pois tinha na época, 21 anos.

O nome 35CTG foi escolhido entre oito propostas, todas em homenagem a 1835, data de início da Revolução Farroupilha. O CTG também passou a adotar um símbolo, criado por Cyro Dutra Ferreira, após discussões acirradas. O CTG passou a ser representado por um índio gineteando um bagual em posição espetacular e o número 35 entrecortado, da esquerda para a direita e de baixo para cima, por uma lança, numa referência à Revolução Farroupilha.

A importância do 35 no contexto do Movimento Tradicionalista Gaúcho não está por ter sido a primeira entidade a ser criada, até porque outras a antecederam, e sim pelo modelo apresentado, o que levou a um desenvolvimento de um movimento social, tradicionalista, de forma muito organizada, do qual muito se espera dentro e além das fronteiras do Rio Grande do sul.

Mais informações no sítio 35CT: http://www.35ctg.com.br